Sinta esta dor

Há uma dor que todos devemos sentir, ainda que ela não incida sobre a nossa pele, ou a nossa carne. Se você não sente esta dor agora, algo de muito errado está acontecendo com você.

Trata-se da dor dos milhões de homens e mulheres vítimas da violência policial. Infelizmente, as polícias, no Brasil, são treinadas para executarem o extermínio das populações negra e indígena. Embora não haja pena de morte no país, todos os dias caem mortos milhares de corpos negros e indígenas, a maioria deles corpos de gente trabalhadora e honesta.

Somente nos regimes ditatoriais, ou entre as máfias e as milícias, mata-se o “inimigo” sumariamente. Quando o Estado libera as polícias para matarem as pessoas por suporem serem criminosas, por piores que sejam as suspeitas, ultrapassamos o limite da civilização.

Do ponto de vista de uma pessoa negra ou indígena, no entanto, o Brasil nunca foi civilizado. Nunca!

Contudo, no presente, há uma diferença nos episódios de truculência policial. Uma vez que o governo federal compactua com a cultura de extermínio e a estimula, cria-se o ambiente para que o assassínio de homens e mulheres negros e indígenas ocorra a céu aberto, utilizando-se das formas mais cruéis de tortura.

Assim foi com Genivaldo de Jesus Santos, assassinado por dois policiais, numa câmara de gás improvisada na parte de trás duma viatura da Polícia Rodoviária Federal, em Umbaúba, Sergipe. Num período em que os governantes são constantemente associados à ideologia e à prática nazistas, é ilustrativo que, em 2022, policiais utilizem do mesmo método de extermínio do holocausto.

O símbolo é flagrante e o seu significado é inegável. Genivaldo morreu asfixiado, tal qual os prisioneiros dos campos de concentração do nazismo.

Negros e indígenas morrem aos milhares, todos os anos, desde que o Brasil é Brasil. Isto é verdade. Todavia, agora, parecem morrer como morrem os “inimigos”, entre muitas aspas, das ditaduras mais sangrentas.

E, então, você sente a dor de Genivaldo? E a dos 25 mortos na chacina da Vila Cruzeiro, no Rio, ocorrida também nesta semana? Não?!

Então, tire o olho da tela e olhe para o espelho. Lembre-se dos seus pais e avós. Reflita sobre os seus gostos e hábitos. Diga-me se você é ou não alvo destas polícias malditas.

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